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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Debandada



Éramos um bando incomum. Uma super míope, uma gordinha, outra baixinha loirinha, duas morenas baixinhas, uma excessivamente infantil, porém gostosona e a última a aderir era a linda, que se vestia como um piá (com direito a boné virado pra trás). Nesse núcleo, muita gente passou. Ficaram marcas, algumas mantiveram o contato e chegaram até a dividir o mesmo teto. Mas nunca fugiu muito disso. Sempre esforçaram-se (umas mais, outras nem tanto) para que houvesse continuidade, para que nunca acabasse. Porém, vida que segue, vida que muda.

Na faculdade, a diversidade era ainda mais visível. Do grupo formado por cinco meninas, três bebiam e quatro fumavam excessivamente. Dessas, duas viviam de regime, outra era uma crente nada ortodoxa. E tem aquela que se casou com outra mulher e hoje vive feliz para todo sempre há muitos quilômetros do modorrento Estado do Paraná...

E o fabuloso mundo da internet? Impulsionado pela "facilidade" de fazer um milhão de amigos que o orkut trouxe (e de encontrar o outro milhão perdido, claro), formou-se um bando ainda mais diferente. Advogados, jornalistas, publicitários, arqueóloga, sociólogos, médicos, estudantes... Logicamente que nos recônditos do msn tudo acontecia. E foi incrível o processo que levou alguns que não se curtiam a se amar loucamente e vice-versa... Particularmente, uma das minhas implicâncias mais gratuitas acabou por virar uma GRANDE AMIGA DE FÉ, IRMÃ, CAMARADA. Outras, BFF eu só sei que estão vivas porque, vez ou outra, aparecem online no messenger.


Já sofri muito com esses distanciamentos. Ainda fico chateada com certas coisas, até porque tenho essa tendência matriarcal, de querer juntar as pessoas e mantê-las unidas. Porém, com o tempo, percebi que é natural e até saudável que isso aconteça. Durante o tempo que nos foi cedido, cuidamos uns dos outros, rimos e vivemos GRANDES AVENTURAS. Mas nem sempre é possível continuar com os mesmos companheiros de migração. Às vezes, novos ares, mudam tudo. Para melhor.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Fantasmas do Natal Passado

Não lembro quando deixei de amaaar o Natal. Assim como ocorreu com outras pessoas coisas, foi um insight. Leva ANOS pra acontecer, mas quando acontece. Pufff. Parece mágica. Harry Potter teria orgulho. Ou não.

A verdade é que Natal é uma data triste, depois de tantas perdas. E nessa época, quem se foi faz mais falta ainda. Porque é inevitável não pensar em como seria se...

Na minha vida adulta acho que meu último Natal que valeu a pena foi em 2004. Fomos tooodos para Juquehy (É, lá mesmo. Onde jogarão minhas cinzas, daqui uns 70 anos). Rolou o amigo secreto que dura mais de duas horas e todo mundo VERDE de fome pra devorar as delícias preparadas pelas tias. Minha noite terminou comigo e meu primo (na época, ambos sem filhos e hoje, ambos pai/mãe de família) conversando no sofá. Nada de baladas com bebeções homéricas. Nenhuma Bielle* do Natal superou aquilo.

Quando eu tinha mais ou menos uns 4 anos e ainda acreditava em Papai Noel (pero no mucho) tivemos um tradicional Natal em família. Achei que o bom velhinho (que nem parecia tão velhinho assim) estava meio magrelo demais. Mas, mesmo assim, fui lá trocar uma ideia, quando ele me chamou. Diálogo:

- Oi Ana Paula, tudo bem?
- U-hum.
- Então. O Papai Noel tem um presente para você.
- =D
- Mas antes, quero saber se você se comportou bem esse ano...
- Sim... *olhos de Gato de Botas do Shrek*



- Tem certeza?
- PORRA PAI, NÃO FODE! Era o que eu diria a ele se tivesse 28 e não 4 anos. Mas só abri o meu - também tradicional BOCÃO - e chorei a noite inteira.

Mesmo assim Bielle, você NUNCA NA NOSSA RELAÇÃO superou isso.

*Bielle, para os leitores não-cascavelenses (maioria, aliás), é a baladinha com mais de 30 anos na cidade. Morei lá dos 15 aos 18.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Kinsey

Não lembro exatamente se foi em uma revista ou na Tv, mas, há uns 15 anos em uma das muitas entrevistas concedidas mundo afora, Madonna deu uma resposta ao repórter que nunca esqueci. Foi um pouco antes dela engravidar do Carlos León, pai da Lola. Como andava "comportada" demais para os padrões madonnianos, indagaram se ela não fazia mais sexo. "Claro que faço. Só não falo mais sobre isso", foi (mais ou menos) o que a deeva disse.

Sempre gostei muito de "debater" o assunto. Mesmo quando ainda era virgem e as tiurias de Revista Nova eram o mais próximo que chegávamos da pauta em si. O engraçado é que sempre falávamos com propriedade, como se fôssemos experts... Embora algumas de nós fossem sim, mas numa vibe mais "eu, eu mesma e SEM Irene", compreendem?

Hoje ainda trocamos ideias (ai, minha alma!), experiências e afins. Porém, se estamos entre pessoas que não conhecemos direito, a coisa é mais sutil (na maioiria das vezes). Até porque, embora ninguém acredite, eu sou BEM tímida. Logo, quando acho uma pessoa pegável interessante, se ela for desconhecida, NUNCA NA VIDA chegarei perto. No máááximo, fico no canto observando. Claro, dificilmente rola alguma coisa.

E hoje, pensando no assunto, lembrei de uma amiga que achava certas atitudes do peguétis dela um pouco "fantasiosas" demais. Lembro que ela até usou um termo engraçadíssimo para defini-lo: Golden Pica (malz ae, sensíveis e puros de coração). Mas, mais engraçado mesmo, é que os mais, digamos, afobadinhos, cheios de si, são os que entrariam na categoria default.

Pior do que esses, são aqueles que não percebem quão desnecessário são certos comentários, observações e afins. Porque eles são bons. E sem a auto-promoção toda, seriam melhores ainda.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mais do mesmo

Tenho um "amigo" que é praticamente um cérebro gêmeo. Acho que nossa aproximação inicial teve como principal motivo o ceticismo. Ou, como concluímos depois, um PSEUDOceticismo, já que ambos ainda sofremos por esperar dos outros aquilo que eles não podem dar. Ou não querem.

De qualquer maneira, por mais que GRITÁSSEMOS para o mundo que não tínhamos fé na humanidade, que tava tudo na merda e etc, acabávamos por nos magoar com os homo sapiens sapiens. E magoá-los também, claro, que ninguém é santo. A questão é que tenho uma tendência a esperar O MELHOR de quem convive comigo. E mesmo àqueles que conheço há quase 20 anos, ainda tem a capacidade de fazer/falar coisas que me deixam perplexa.

Quando isso acontece, fico me questionando se é pura inocência. Ou só maldade mesmo. Porque o primeiro é o que sempre achamos que fosse. Mas, depois de ouvir toda sorte de comentários, digamos, maldosos ou dispensáveis em muitos momentos, a segunda hipótese não pode ser descartada. Ainda mais quando partem de alguém que beira os 30 anos.

Sétima série never dies.

domingo, 22 de novembro de 2009

Caderno de Confidências


Há alguns dias, por conta de uma postagem, novamente me senti na 7ª série. Mas, de uma maneira até divertida, que me remeteu aos cadernos de confidências. Eles circulavam nas salas de aula, com inúúúmeras perguntas e, pra finalizar, um "deixe uma recordação para mim".

Dos 10 aos 14 anos, eles eram a base para a galerinha aprontar altas confusões. Pois ALI você saberia quem estava na lista de pretês do moreno-alto-bonito-e-sensual (alguém pode ser isso aos 13 anos?). Quem encabeçava o ranking de melhores amigos & amigas da menina mais popular. E, na parte das recordações, dependendo das palavras usadas, você poderia alimentar ilusões, ler nas entrelinhas, etc... Dá pra chamar isso de mensagem subliminar, galerinha da PP?

Bom, eu nunca estava entre a lista de possíveis peguétis. Mas sempre fui a MELHOR AMIGA. Do moreno anteriormente citado, do menino de olhos verdes que imitava Michael Jackson, do que tinha a sexualidade questionada por todos, da menina que ficava HORAS & HORAS ao telefone chorando por ser gordinha e ter espinhas... E isso, estar entre as ++ do rol de amigos, me trazia
problemas. Porque era um PROBLEMÃO PARA UMA ADOLESCENTE DE 13 ANOS precisar listar quem eram OS SEUS melhores amigos. E a sequência que isso aparecia era determinante nas relações.

A verdade é que sempre me senti a MELHOR AMIGA. Já não vejo isso como uma fuga, um problema, algo ruim. Cheguei naquela idade em que a gente para de
punhetar questionar certas coisas e simplesmente as aceita. De qualquer forma, voltaemeia deparo-me com essa necessidade de que GOSTEM de mim. Tá, todo mundo sente isso, até aqueles que se dizem bem resolvidos/autossuficientes (acho que com a Reforma Ortográfica fica assim. Doeu na alma.). E, como meu problema é pensar demais (e talvez por resquícios dos cadernos de confidências), sempre vejo coisa onde NÃO TEM. E fico me sentindo como Baby Sauro (sim, o ser que ilustra essa postagem) com seu bordão "Você TEM QUE me amar!".

No fundo, como diriam aqueles ingleses lá: All You Need Is Love.

domingo, 8 de novembro de 2009

Too much information


Hoje acordei nostálgica. Parei pra pensar que daqui uns dias fará um ano que fui pra Rio e Sampa ver Madonna. Em um ano como 2008 (que foi bem mais merda que o normal, porém acho que na-da irá superar 2009. Mas isso é mimimi assunto pra oooutra postagem), aquela semaninha entrou para o hall de ponto alto da minha vida [/Beleza Americana].

En-fim. Uma coisa leva a outra e ME DEI CONTA de que o Natal tá aí. Nem acendi minha vela de finados, mas o Shopping Müller faz questão de GRITAR com suas luzinhas na fachada que o TEMIDO 24/25 de dezembro é logo ali. E que preciso começar a pensar no que farei esse ano, quais são minhas OPÇÕES REAI$ e etc. Ou seja, passar da nostalgia à neurose em 3 segundos? Trabalhamos.

Como bipolaridade pouca é bobagem, lembrei imediatamente das incríveis aventuras praiÊras de outrora. É - no mínimo - engraçado: pessoas que antes faziam pirâmides com cerveja numa sacada ou furavam máscara do Mr. M (não pergunte) para que o cigarro passasse na boca hoje estão casadas e com filhO (calma que ainda é singular). Ou só com a segunda opção (oi?). Essas mesmas criaturas sabiam T O D A S as coreografias de Axé Music do carnaval de 2002. Onda-Onda, Olha a Onda - CLAP CLAP! Kleber BamBam teria orgulho, ein?



E, pra finalizar, nada supera o esmero na coreô de um clássico latino que, se não me engano, era parte da trilha sonora de Meu Bem, Meu Mal - Internacional:



Mar ibiza loco mia
Sol ibiza loco mia
Marcha ibiza loco mia
Crazy ibiza loco mia

Ah, no lugar dos leques, usávamos nossas cangas.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

E teeerrr na mennnteee dentro dos nooossos coraçõõões!

Eu ia escrever um post cheio de rancor, mágoa, ódio & todos esses sentimentos "fofos". Tudo por conta de uma atitude besta que, noto, alguns homens tem em relação a mim quando falo de Futebol. Por ser um território majoritariamente macho, sinto que certos espécimes do sexo masculino não admitem mulheres dissertarem sobre o assunto e as ignoram, sem mesuras.

Então, num papo com um amigo que não pensa assim, começamos a falar sobre a ORIGEM desse meu amor pelo esporte bretão. E lembrei do meu pai. Às vezes ele me levava em seus sábados boleiros pra brincar com as outras meninas que também acompanhavam seus pais. Às vezes ele assistia futebol aos domingos. Mas não tentava me explicar o que era linha burra, escanteio, tiro de meta. Acho que essa minha relação de amor com o esporte surgiu naturalmente. Junto com meu fanatismo pelo Corinthians? Talvez. Se meu pai influenciou, mesmo que sutilmente? É muito provável.

A verdade é que sou muito meu pai em diversos aspectos. E tenho dívidas que jamais serão pagas com ele. Afinal, SÓ ELE pra aguentar meus surtos psicóticos às 2h da manhã, porque, CLARO QUE TINHA LADRÃO DENTRO DE CASA! Detalhe: estávamos há 500km de distância. Ou só ele pra se despencar do trabalho para um clube longe da cidade, só pra fazer fogo na churrasqueira porque um bando de pentelhos de 11 anos resolveram comer churrasco (só não sabiam como fazê-lo). E eu poderia continuar essa lista ad infinitum, por que né? Ele é o vovô-papai!

Tem uma foto que minha mãe costuma chamar de tempo das vacas magras. Estamos, eu e meu pai: ele sentado na escada e eu em pé, com 1 aninho, talvez menos. Pernas de saracura (ambos, aliás) como sempre. Eu, de fraldão. Ele,
devidamente trajado com o que hoje os modernetes chamariam de camisa VINTAGE do Botafogo (graças a Deus NISSO ele não conseguiu me influenciar!). E ele me segurava pelos braços, pra que eu parasse em pé. Afinal, foi sempre assim, né pai?

*A foto eu juro que postarei num update. Mas, pra isso, preciso ir pra Cascavel e encontrá-la!*

U P D A T E!
Então, tá aí a foto. Quem teve o trabalho de procurar e me entregar foi meu pai, claro. E ele nem sabe pra que eu usaria... E nem deverá conhecer esse texto. An-fãn:


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

MudançaS de HábitoS


Quando eu estava na 8ª série, as formaturas (assim como as festas de 15 anos) eram demodês. O negócio era viajar. Com nossa turma, não foi diferente: fomos para Aguativa, uma estância de águas termais que fica em Cornélio Procópio, norte do Paraná. Falando assim parece chiquééérrimo, mas nem era TANTO.

Semanas antes, nos preparativos para a excursão, a lendária Tia Izailda entra na sala para conversar conosco sobre as questões financeira$. Como seriam pagas as diárias, o que estava incluso e etc. Não lembro exatamente como funcionavam os gastos extras que teríamos, mas era necessário mandar a grana antes. Era como numa "quermesse" ou "festa junina" (ao menos aqui no Sul funciona assim): você compra fichas que serão usadas, no caso de Aguativa, para adquirir refrigerantes, salgadinhos, doces e afins. E alguém precisava ficar responsável por COLETAR esse dinheiro.
A diretora dos meus saudosos tempos de Colégio Ideal deixou isso para mim. A justificativa? "Preciso de alguém bravo o suficiente para a função. Nessa turma, não tem melhor".

A verdade é que sempre me deram o papel de MADRE SUPERIORA em diversas situações. E sempre desempenhei o personagem, sem questionar muito. Logo, a fama de "fera", estourada, ou só chata mesmo sempre me perseguiu. O mais "irônico" disso tudo é que não gosto de CHEFIAR. Não me sinto à vontade. Mas, quando percebo, já estou agindo como a coordenadora do setor ou como a mamma que briga com seus filhos para que eles se comportem. E nem tenho decendência italiana.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Se fosse bom, vendia...

Não lembro exatamente se foi sexta ou sábado, mas o Estrela Guia MANDOU eu botar ordem na bagunça. Da minha casa. Resolvi começar pelo closet no corredor, onde tem de tudo, menos roupas. Revistas, jornais-laboratório, materiais de campanha política, exercícios vocais do treino da RPC e alguns e-mails impressos.

Entre "milhares" de Novas, Vejas, Contigos!, Cartas Capital, Corpo a Corpo, Caros Amigos e afins, lá estavam alguns manuscritos. Não coloquei data em nenhum deles, mas posso dizer que o *mimimi* é atemporal. Encaixaria-se em diversas fases "críticas" de mi bida.

Além das cartas suicidas, os e-mails também são divertidos. Num deles, uma amiga diz para eu não vir pra Curitiba de jeito nenhum, pra segurar meu trabalho na área (a-do-ro esse termo) mesmo que estivesse ganhando R$ 300/mês.

E lá se foram quase seis anos. E continuo não sendo "muito boa" em seguir conselhos.